Dior e Valentino: novas direções

 

Maison Dior dá boas-vindas e, conta com uma mulher, pela primeira vez em sua história, na direção de criação de coleções femininas.

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Pierpaolo Piccioli, Maison Valentino e Maria Grazia Chiuri, Maison Dior.Fonte: fr.fashionmag.com

Maria Grazia Chiuri e Pierpaolo Piccioli, foram colegas no IED Roma. Em 1999 são convidados por Valentino Garavani para criar a linha de acessórios da marca.

Em 2007, Valentino afasta-se da direção criativa, assumindo o cargo, Chiuri e Piccioli.

Em 2008, são nomeados co-diretores criativos da Valentino, desde o prêt-à-porter à alta-costura.

Em 7 de julho de 2016, Maria Grazia Chiuri passa a ser a diretora criativa da Dior.

Pierpaolo Piccioli, antes na co-direção, é nomeado o diretor criativo da Maison Valentino.

Sidney Toledano, CEO da Christian Dior Couture, disse: “Estou muito feliz com a chegada de Maria Grazia Chiuri na Maison Dior. Sua visão sobre as mulheres, tão sensual e poética, entra em ressonância com Monsieur Dior. Sua experiência em alta costura e sua paixão pelo fazer artesanal poderão contar com a experiência excepcional de nossos ateliers”

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Madame Grès

Uma das mulheres mais cérebres da moda francesa, Madame Grès (1903-1994), antes Alix Barton, é  representante da geração de costureiras como Chanel, Vionnet, Schiaparelli e Jeanne Lanvin.

Ela quis ser escultora e depois bailarina. Sonhava com a costura sem dedal e sem agulha. Nos anos 1940, tudo isso  tornaria a ser sua  identidade, com uma costura arquitetônica e seus drapeados à Grès. Lucien Lelong, então presidente da Chambre Syndicale de la Haute Couture, foi seu grande incentivador pela continuidade do trabalho através de tempos de guerra e paz. Seu marido se chamava Serge Czrefkov, cujo prenome era quase um anagrama do nome de sua maison: Grès.

“É necessário haver o desejo de fazer qualquer coisa com qualquer coisa. Estes vestidos drapeados, dizem ser antigos. Mas nunca me inspirei no antigo. No tempo em que este tecido não existia (jérsei de seda finíssimo), eu não tinha a idéia de fazer drapeados. Mas desde que o encontrei, o tecido tem caído no lugar por si próprio. Os escultores gregos fizeram suas esculturas a partir de tecidos que dispunham.” Ela parece haver misturado seu sangue ao de Ictinos e Callicratès, arquitetos do cérebre Parthenon, mestre da ordem e da propoção. “Para mim é a mesma coisa trabalhar o tecido ou a pedra.”

Assim, seus vestidos esculpidos ocuparam seu lugar legítimo no Musée Bourdelle, este ano, em Paris.

Os drapeados minunciosos foram ferramentas de Grès na construção tridimencional da roupa em proporções visionárias, eternamente belas.

Referência:

BENAIN, Laurence. Mémoir de la mode: Grès. Paris: Assouline, 1999.

Madame Grès: la couture à l’oeuverture . Catálogo da exposição. Paris: Musée Bourdelle, 2011.

Yohji, hoje

Foto: Koichi Inakoshi

Começa hoje a exposição retrospectiva de Yohji Yamamoto no Museu Victoria & Albert em Londres, que encerra-se em 10 de julho.

Há trinta anos, em 1981, Yohji fez seu debut em Paris, apresentando sua coleção.

Victoria & Albert Museum

A identidade de seu trabalho está nas formas amplas, contrárias ao “shape” ajustado ao corpo, característico de design ocidental.

Além disto, o uso de tecido preto, assimetria e linhas não harmoniosas com as curvas do corpo, na época, contradiziam o gosto dos designers e compradores. Ele recusou as normas tradicionais da moda.

Yamamoto re-escreveu o conceito de beleza na moda, e a androginia de seu trabalho criou e inspirou novas modalidades de identidade de gênero. As coleções femininas contem peças geralmente associadas ao vestuário masculino. Os tecidos também constituem sua marca registrada, com aplicação de técnicas artesanais como  Shibori and Yu-zen.

Yves Saint Laurent

Yves Saint Laurent, 1983. Photo: Irving Penn.
YSL e Edia Vairelli no studio da Av. Marceau, 5, 1982. Foto: Pierre Boulat.
Dovima et les éléphants, 1955. Foto: Richard Avedon.
Coleção alta-costura Primavera-Verão 1988. Homenagem a Vincent van Gogh.

Detalhe de peça da coleção Primavera-verão 1998.

Croqui de peça da coleção de alta-costura, Primavera Verão 1989.
Croqui de peça da coleção de alta-costura, Primavera Verão 1989.

“Yves Saint Laurent”, é a exposição no Petit Palais – Musée des Beaux-Arts de la Ville de Paris. Desde 11 de março. Encerra-se em 29 de Agosto de 2010.

As imagens acima são do catálogo da exposição, sob curadoria de Florence Müller e Farid Chenouque.

A vida e obra do estilista, nascido em 1936. Trabalhou na maison Dior, lançou “a linha trapézio em 1958″… “e nos anos de 1960, abriu sua própria maison, com idéias também inovadoras em suas criações, especialmente o tubinho com desenhos do pintor Mondrian.” (Braga, 2008, p. 87)

Dotado de vasto repertório cultural homenageou diversos artistas, entre eles Vincent van Gogh, Serge Poliakoff, Pablo Picasso, Tom Wesselmann, Jean Cocteau, Georges Braque (num vestido em editorial de 1998 com a então modelo Carla Bruni, atual primeira-dama). No fim da década de 1960, lançou para mulheres o conjunto de calça comprida e paletó. Desde então a moda tornou-se reflexo de comportamento e identidade ideológica.  Revival, glam, tribos nos anos de 1970. A multiplicidade nos anos de 1980, à identidade mistureba dos anos de 1990. Ele atravessou tudo isso, impondo estilo e estética totalmente particular, deixando sua marca inconfundível.

Muito além dos mais de 300 looks expostos, da documentação de sua produção, dos ídolos, das musas e dos admiradores-adoradores, Yves Saint Laurent nos deixou um grande, único e eterno legado: estilo com atitude!

FLORENCE, Müller, FARID, Chenouque. Yves Saint Laurent. Paris: Éditions de la Martinière, 2010.

BRAGA, João. História da Moda, uma narrativa. São Paulo: Ed. Anhembi Morumbi, 2008.

a moda masculina

Coleção Yohji Yamamoto. Primavera 2010. Style.com

Coleção Yohji Yamamoto. Primavera 2009. Foto: Mario Madeira. Style.com
Coleção Yohji Yamamoto. Primavera 2009. Foto: Marcio Madeira. Style.com

Coleção Yohji Yamamoto. Outono 2007. Style.com. Foto: Marcio Madeira